A morte está cada vez mais perto de cada um de nós

por Carlos Zacarias

Reprodução - internet
Esse é o triste caminho que estamos trilhando. Números são abstrações e quanto maiores eles forem, menos provocavam comoção. Levaremos muitos anos para debelar essa crise, mas eu espero sobreviver para que todos os responsáveis pelos crimes cometidos nessa tragédia política-econômica-sanitária sejam punidos.

17 dias após chegar a 300 mil mortos, o convidário chamado Brasil alcança 351 mil óbitos. Obviamnte que no ritmo que vamos, até o fim de abril teremos 400 mil e chegaremos em junho com 500 mil mortes. A morte está cada vez mais perto de cada um de nós, mas com números tão estratosféricos, parece só estatística e seu efeito anestésico vai demandar muitos anos para que sejamos capazes de dimensionar o tamanho da tragédia em termos mais amplos. Daqui até lá só nos restará chorar os que se vão e nos solidarizar com a dar das pessoas que todos os dias informam da partida de um ente querido.

Enquanto isso, o “mercado” sinaliza para Bolsonaro sobre o perigo de se cometer crime fiscal no orçamento que vai esta semana para o Congresso. Sim, vocês não leram errado, o mercado não está nem aí para 350 mil mortos e pouco está se lixando para o faro de que Arthur Lira tem 103 pedidos de impeachment contra Bolsonaro nas mãos e não dá andamento a nenhum. O que lhe importa é se o agitador fascista comete crime fiscal e sobre isso que estão atentos.

Na semana passada dezenas de empresários e banqueiros se reuniram com Bolsonaro para discutir a crise. Na pauta, além da crise econômica, crise sanitária, mas esta só é do interesse dos grandes capitalistas porque atrapalha a economia. Nenhum trabalhador tem o direito de morrer na contramão e atrapalhar o tráfego, então não surpreendeu quando as reportagens disseram que Bolsonaro foi “ovacionado” pelos presentes.

Quando Hitler governou a Alemanha os capitalistas da época calculavam quanro ganhavam e quanto perdiam com aquele ser grotesco dirigindo o país. Tão logo viram os nazistas varrendo os sindicatos, encarcerando os comunistas e social-democratas, entregaram as mãos satisfeitos. Depois não se importaram quando os judeus entraram na mira, inclusive se jactaram com o espólio de muitos capitalistas judeus desapropriados em favor de empresarios e banqueiros alemães. Depois a tragédia passou a ser estatística e anestesia, porque tudo mais era permitido.

Esse é o triste caminho que estamos trilhando. Números são abstrações e quanto maiores eles forem, menos provocavam comoção. Levaremos muitos anos para debelar essa crise, mas eu espero sobreviver para que todos os responsáveis pelos crimes cometidos nessa tragédia política-econômica-sanitária sejam punidos. Os responsáveis direitos e seus cúmplices.

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