“Todo o real é racional, e todo racional é real”

por Gabriel Veloso

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Hegel analisa o universo através do que pode ser conhecido, e para algo ser conhecido, apreendido, precisa antes de um ser, que possui consciência e capacidade de conhecer o mundo, ou seja, um ser minimamente racional: o sujeito.

Vocês vão me desculpar trazer Hegel mais uma vez, mas é que é impossível não se fascinar com seu pensamento quando se compreende o que ele diz. E mais, também é impossível não ficar constrangido com a quantidade de falsificação que é feita do seu pensamento.

É muito fácil e até tentador referir-se a essa frase do filósofo, conjuntamente com os estereótipos tipicamente distorcidos atribuídos a ele (“filósofo do saber absoluto”, “filósofo do fim da história”), para se concluir que Hegel era um idealista sem conexão com a realidade nem pé no chão. Contudo, me parece que, ao contrário do que indica o senso comum, essa frase é uma das suas mais “materialistas”, no sentido comum dado ao termo, de “primazia” da matéria concreta sob a consciência. O que é difícil, porém, é entender o verdadeiro significado do que está sendo dito quando se afirma que “todo real é racional, e todo racional é real”.

O que isso quer dizer é, apesar das aparências, bem simples: Hegel analisa o universo através do que pode ser conhecido, e para algo ser conhecido, apreendido, precisa antes de um ser, que possui consciência e capacidade de conhecer o mundo, ou seja, um ser minimamente racional: o sujeito.

O que é real só vai ser real enquanto existir um sujeito para entender aquilo como real. E como não existe conhecimento que não seja racional, ou seja, que não é processável pelo sujeito (caso exista não será conhecimento, para o sujeito), logo todo real é, ao mesmo tempo e necessariamente, PARA O SUJEITO, racional.

Esse é o jeito dele de dizer: o universo é conhecível, e é, até os limites do próprio conhecimento racional, dedutível.

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