Querida “esquerda brasileira”, eu sou policial

por Alexandre Felix Campos

Querida “esquerda brasileira”,

Eu sou policial. Ser policial foi meu sonho de infância. Eu entrei na polícia para proteger as pessoas, garantir direitos e praticar a justiça.

Infelizmente, camaradas, nem sempre eu pude agir dessa forma.

Sabe, companheiros trabalhadores, eu também sou apenas um trabalhador. É do meu salário, que cá entre nós, não é muito bom, que pago meu aluguel, alimento minha família e ainda tento bravamente estudar e me tornar um cidadão e trabalhador melhor pra sociedade em que vivo.

A instituição policial não é dirigida e tampouco pensada por trabalhadores. A instituição é pensada e dirigida por castas privilegiadas e serve a uma elite indiferente à realidade do TRABALHADOR, inclusive a do policial.

Sofremos ataques cotidianos aos nossos direitos. Direitos fundamentais que garantem a dignidade humana, aqueles direitos que costumamos chamar de “direitos humanos”, nos são negados.

Nossa carga horária de trabalho é exaustiva. Nosso descanso não é respeitado.

Nos mandam para as ruas sem a formação adequada, sem equipamentos adequados e para combater inimigos inventados que, quando olhamos atentamente, acabamos por perceber que parecem nossos irmãos e até mesmo nossa própria imagem refletida num espelho. Mas nos chamam de heróis. Às vezes até sentimos que somos mesmo.

Mas basta um erro, um único erro, muitas vezes cometido na crença de que acabamos realizar um ato heróico, e TODOS nos massacram, nos condenam, nos apagam como humanos.

Sim, acreditem, os dirigentes das instituições policiais nos batem e nos sufocam todos os dias. O judiciário, casta soberana na decisão dos destinos de todos nós, não nos reconhece, não nos respeita e nos relega à condição de cães de guarda, que deve ser sacrificado toda vez que algo dá errado.

Então, camaradas TRABALHADORES, precisamos ser reconhecidos como TRABALHADORES. Assim, todos nós, irmanados, poderemos construir uma sociedade justa e humanizada, onde meu trabalho será garantir os direitos de todos, e como resultado teremos a paz. Paz construída por irmãos.

Não somos bandidos ou vilões. Não queremos também o cargo de herói. Queremos apenas que nos reconheçam como TRABALHADORES.

Vamos construir isso juntos ?

Me ajudem a ser o amigo e protetor que sonhei na minha infância.

ALEXANDRE FELIX CAMPOS
Policial Civil em São Paulo