Paz entre nós, guerra aos senhores

por Pedro Fassoni Arruda; Com vídeo

Reprodução – internet

Observando algumas “análises” políticas feitas nos anos recentes, um dos maiores problemas que vejo é o desaparecimento de alguns conceitos, como classe dominante, ideologia, luta de classes etc.

Parece que tudo o que acontece é culpa dos pobres que trabalham. Poucos se preocupam em analisar o papel dos sindicatos patronais na formulação dos projetos de governo: empresários industriais (Fiesp, CNI), banqueiros (Fenaban, Febraban), latifundiários (UDR, CNA), comerciantes (associações comerciais) ou barões da mídia, por exemplo.

Outro problema é reduzir a tragédia do nosso tempo à figura de Bolsonaro. “Ele é um louco”, muitos costumam dizer. Acontece que o presidente representa muito bem um projeto de poder, os interesses de classes sociais e grupos poderosos que o colocaram onde ele está. Os banqueiros, os industriais, os latifundiários e os barões da mídia elegeram e continuam apoiando o presidente. Ignorar esse fato elementar tem como desdobramento a crença de que basta tirar o presidente para que as coisas voltem a melhorar, como se TODAS as demais instituições agissem de maneira muito diferente.

É preciso entender o fenômeno da ideologia nas sociedades de classes para entender as razões que levam os pobres a votarem nos seus algozes. Toda a máquina de propaganda, que serve para persuadir e cooptar as classes subalternas, está a serviço dos interesses das diversas frações da classe dominante. Insistir nessa luta fratricida de pobres contra pobres, chamando o “pobre de direita” de ignorante e poupando os verdadeiros beneficiários dessa destruição do Estado brasileiro, é o caminho mais curto para a próxima derrota…

Resumindo: a alienação política de uma parcela expressiva da classe trabalhadora é o resultado de um projeto elaborado “a partir de cima”. É importante entender o fenômeno como uma consequência, mas devemos investigar suas causas e perguntar: a quem serve esse projeto? Não dá pra culpar quem recebe um auxílio emergencial de 600 reais…


EXTRA

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Dica de livros

Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire
Os condenados da terra de Frantz Fanon
Ensaios sobre consciência e emancipação de Mauro Iasi
Volume 3 dos Cadernos do Cárcere – Maquiavel: nota sobre o Estado e a política de Antônio Gramsci (Civilização Brasileira).

Dica de textos

Estudar a realidade brasileira: a prioridade para os revolucionários: https://blogdaboitempo.com.br/2019/12…
Quatro princípios para a formação política revolucionária: https://blogdaboitempo.com.br/2019/09…


Sobre Pedro Fassoni Arruda

– Bacharel em Direito (1997). É mestre em Ciências Sociais pela UNESP – Universidade Estadual Paulista (2003), tendo defendido dissertação sobre o desenvolvimento capitalista e a hegemonia da burguesia industrial brasileira, no período 1930-54. É doutor em Ciências Sociais pela PUC/SP, título obtido com a defesa da tese “O imperialismo e a dominação burguesa na Primeira República brasileira (1889-1930)”, em dezembro de 2007. Pesquisador das ideologias, políticas e constituições brasileiras. Atualmente é professor de ensino superior da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC/SP.
Foi Chefe do Departamento de Política da PUC/SP (entre 2016 e 2018) e atualmente é Coordenador do Curso de Ciências Sociais da mesma Universidade. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Teoria Política e história política do Brasil contemporâneo. Atua principalmente nas seguintes linhas de pesquisa: imperialismo e relações internacionais, marxismo, hegemonia política, ideologias, capitalismo tardio, teoria da dependência, Estado e lutas de classes. Autor dos livros Capitalismo dependente e relações de poder no Brasil (Editora Expressão Popular, 2012, 384 páginas) e Partidos políticos e disputa eleitoral no Brasil (EDUC, 2016, 273 páginas).
(Texto informado pelo professor, reproduzido da plataforma Lattes)


Observando algumas "análises" políticas feitas nos anos recentes, um dos maiores problemas que vejo é o desaparecimento…

Publicado por Pedro Fassoni Arruda em Quinta-feira, 24 de setembro de 2020
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