Paulo Guedes é um zumbi no governo Bolsonaro

por Carlos Zacarias; Com Vídeo

Paulo Guedes é um zumbi no governo Bolsonaro, um cadáver insepulto, que já cumpriu o papel que precisava e agora é plenamente descartável.

Vindo do profundo dos esgotos da política brasileira, Bolsonaro não teria a menor chance se apenas navegasse no antipetismo e no ódio ressentido dos setores médios manipulados pela mídia lavajatista e pelos setores das classes dominantes que implodiram a coalizão desenvolvimentista que governava. Havia candidatos mais preparados e confiáveis do que o agitador fascista, notável pelo histrionismo autoritário de seus discursos e ações. O problema é que os preferidos pela burguesia da Faria Lima, eram todos como o picolé de chuchu: carisma zero, o mais do mesmo na política para um país que tinha muito ódio, frustração e sangue nos olhos. E foi assim que a figura tosca e grosseria do fanfarrão Bolsonaro foi introduzida nos salões nobres da alta burguesia do país e o papel de fiador coube a Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga”.

E foi desse encontro mais do que provável, porque repetiu aqui circunstâncias e acordos que existirem entre as elites políticas e as classes dominantes da Itália e da Alemanha dos anos 1920 e 1930 com os fascistas e nazistas, que permitiu Bolsonaro alcançar a presidência do Brasil.

Nenhum governante pode abdicar da política e mesmo nas ditaduras mais brutais houve quem apontasse os acordos com o establishment como a degeneração do projeto original marcado pelo discurso antissistêmico e antipolítico. Aconteceu com Mussolini e Hitler e acontece com o nosso projeto de ditador.

É neste ponto que estamos hoje frente ao governo Bolsonaro, cujo chefe tenta se reacomodar à política carregando o chorume autoritário, mas não pode fazê-lo com os mesmos avalistas.

Paulo Guedes é dispensável, porque já fez uma parte importante do trabalho sujo. Bolsonaro precisa de outros que sujem as mãos e que lhe continuem emprestando a face que a burguesia deseja, enquanto ele posa para sua fanática base como o impoluto, o Messias, o Mito.


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GREG NEWS | FIADOR



Sobre o professor

-Sou graduado em História pela Universidade Católica do Salvador (UCSal, 1993), mestre em História pela Universidade Federal da Bahia (UFBA, 1998) e doutor também em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE, 2007). Entre janeiro e setembro de 2006 estive na Universidade do Porto (UPorto), Portugal, realizando um estágio de doutorado como bolsista da CAPES e entre 2019 e 2020 estive na Universidade Federal Fluminense (UFF) realizando um pós-doutorado. Integro o Conselho Editorial das revistas Outubro, Crítica Marxista, História & Luta de Classes, Tempos Históricos, Germinal e Revista Nordestina de História do Brasil. Publiquei em co-autoria O Estado Novo: as múltiplas faces de uma experiência autoritária (Salvador: EDUNEB, 2008), Contribuição à crítica da historiografia revisionista (Rio de Janeiro: Consequência, 2017). Organizei o livro Capítulos de história dos comunistas no Brasil (Salvador: Edufba, 2016) e, como autor, publiquei Os impasses da estratégia: os comunistas, o antifascismo e a revolução burguesa no Brasil. 1936-1948 (São Paulo: Annablume, 2009), De tédio não morreremos: escritos pela esquerda (Salvador: Quarteto, 2016) e Foi golpe! O presente como história (Salvador, Quarteto, 20018. Sou professor Associado 1 do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Bahia (PPGH-UFBA), onde também atuo como pesquisador no Centro de Estudos e Pesquisas em Humanidades (CRH).
(Texto da plataforma Lattes, informado pelo professor)


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