O MBL nos prova que esse país vive uma terrível piada

por Carlos Fernandes; Charge de Duke

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Não são poucos os responsáveis por nossas mazelas, mas o MBL ocupa posição de destaque na completa desmoralização de nossa política.

É geralmente nas eleições para vereadores que verificamos os mais nonsenses tipos de candidaturas. Dos mais recônditos municípios do Brasil profundo até as maiores capitais, o que se vê é um verdadeiro desfile de figuras cuja noção de ridículo é artigo raro. Isso para se dizer o mínimo.

Os partidos, na parte que lhes tocam, permitem esse tipo de espetacularização porque, afinal, todo voto conta. E nada obstante, é, vá lá, o show da democracia onde qualquer brasileiro no pleno gozo de seus direitos civis, qualquer um mesmo, pode se candidatar.

Até aí tudo bem.

Mas por questões logísticas e por força da razão candidato/vaga, à medida que os cargos “sobem”, um critério mínimo de decência, decoro, compostura e mínimo de inteligência passam a ser exigido dos postulantes.

Ainda que, obviamente, esse tipo de exigência não tenha sido suficiente para ter nos livrado de um ogro genocida da estirpe de um Jair Bolsonaro no mais alto cargo da República.

E até por isso mesmo, aqui é preciso entendermos como rebaixamos a política de tal forma a nos permitirmos chegarmos a esse nível de excrescência generalizada.

O fato do Movimento Brasil Livre manter conversas com um sujeito como Danilo Gentili para uma possível candidatura à presidência da República nas eleições de 2022 muito nos diz sobre essa nossa miséria política.

Como se não bastasse essa gente ter feito de um tudo para viabilizar a ilegal deposição da ex-presidenta Dilma Rousseff abrindo espaço para um Michel Temer descambando para o que temos aí, agora esses irresponsáveis querem nos empurrar um projeto de comediante notoriamente racista, machista, xenófobo e intelectualmente incapaz para liderar um país em destroços.

É de chorar sentado. Mas o triste mesmo é que não há surpresa nenhuma em tudo isso.

Eis o maravilhoso legado das “jornadas de junho”, da operação Lava Jato e da criminalização da atividade política.

Só em sugerir que um palhaço sem graça como Gentili, que não possui capacidade para figurar entre os mais ineptos candidatos a vereador (com todo respeito aos candidatos a vereador), para a presidência da República, é a pá de cal no que restava das prerrogativas mínimas necessárias para um cargo de tamanha importância.

Não são poucos os responsáveis por nossas mazelas, mas o MBL ocupa posição de destaque na completa desmoralização de nossa política.

E para além de tudo, Gentili e o próprio MBL nos credenciam por razões mais do que suficientes para que nesses tempos tão estranhos não tenhamos dúvidas que esse país ora não passa de uma grande piada.

Completamente sem graça.

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