KÁSSIO CONKÁ, O QUE É A NATUREZA

por Gilberto Maringoni

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Kássio Conká desnuda a empáfia de promotores, rábulas e magistrados com sua argumentação dadaísta, com suas mãozinhas suadas e com a sem cerimônia dos que sabem quanto custou chegar onde ele chegou.

Já escrevi que Kássio Conká seria, juntamente com Dias Tóffoli, o pior ministro do STF. Ledo engano! Hoje me penitencio, de chicotinho nas costas. Kássio Conká não apenas não é o derradeiro da fila, como se agiganta a cada dia no proscênio de nossa Suprema Corte.

Kássio Conká tem a nobreza dos valentes que não temem o pior dos perigos humanos, o ridículo. Kássio Conká sabe perfeitamente com que objetivo foi nomeado, sabe quem o indicou, sabe não ter predicado intelectual algum para vestir a toga e nesse conjunto de atributos reside sua grandeza.

Kássio Conká pouco se lixa para coerência jurídica, normas constitucionais ou letra da lei. É capaz de alegar ausência de direito de defesa em julgamento de um habeas corpus. Kássio Conká exibe aí o desassombro, a ousadia e o desapego a ritos formais que só a altivez de um parvo pode ostentar.

Com sua temperança de aço, Conká nos vinga de uma Justiça de palavrório oco, de ritos medievais e de salamaleques somente possíveis diante de procônsules romanos em territórios conquistados. Graças à presença de Conká, o maneirismo histriônico de um Marco Aurélio é desnudado. Kássio Conká nos redime diante de sofismas beletristas e da liturgia estéril daquelas capas.

O physique du rôle de Kássio Conká é imbatível, com bochechas rechonchudas e revirar maroto de olhinhos de sátiro. Conká tem picardia e jeito malandro amigo a nos lembrar a figura monumental de Zé Trindade. Ao assistir Conká na TV Justiça, logo imagino que Renata Fronzi em seus melhores dias passará esvoaçante pelo segundo plano e que nosso herói olhará de soslaio para suas generosas formas. Ato contínuo, piscará para a câmera – para nós, para nós! – e, com um risinho maroto, exclamará “O que é a natureeeza!”, antes de ler qualquer sentença sobre qualquer coisa em qualquer sentido.

Kássio Conká desnuda a empáfia de promotores, rábulas e magistrados com sua argumentação dadaísta, com suas mãozinhas suadas e com a sem cerimônia dos que sabem quanto custou chegar onde ele chegou. E parece gritar sem parar:

– É tudo farsa! Estou mostrando para vocês, é tudo farsa! Não estão vendo?

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