Sobre a Carta dos 222 Economistas Liberais mais Atuantes

por Samuel Braun

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Propõem uso de máscaras, distanciamento social, lavar as mãos e fazer higiene. Obviedades fora de sua área. Já no tocante às questões econômicas, não propõem aumento do auxílio emergencial, nem mesmo citam qualquer valor para ele. Pelo contrário, defendem que ele seja reduzido apenas a uma categoria indefinida de "os que mais precisam", que seriam menos do que o auxílio atingiu ano passado.

Roda, com toda a pompa que os bilhões podem comprar, uma carta assinada por 222 dos economistas liberais mais atuantes politicamente, entre eles quatro ex-ministros da Fazenda (Marcilio Marques Moreira, Pedro Malan, Mailson da Nóbrega e Rubem Ricupero), cinco ex-presidentes do Banco Central (Afonso Celso Pastore, Arminio Fraga, Gustavo Loyola, Ilan Goldfajn e Pérsio Arida), ex-presidentes do BNDEs (Edmar Bacha, Eleazar de Carvalho), todos de governos de direita, mais os agentes do mercado financeiro, professores de escolas ortodoxas de economia, analistas econômicos conservadores de programas televisivos, membros do Instituto Millennium, do Insper, do Mercado Popular, do Livres, RenovaBr, proponentes das reformas da previdência, trabalhista, do teto dos gastos, membros do IFI, enfim, uma lista quase homogênea do conservadorismo econômico, desde sua vertente mais ensaboada até aquela mais terraplanista.

Sobre o que é a lista? Bem, ela é propagada como “carta dos economistas exigindo respeito (sic)”. Numa versão já atualizada do site O Globo dizia que eles pediram mais governo. Foi rapidamente corrigida.

Supostamente contém dicas da nata do fiscalismo para resolver a pandemia. Fui lá, então, ávido por conhecê-las, já que até agora são justamente eles que impedem o auxílio emergencial.

Propõem uso de máscaras, distanciamento social, lavar as mãos e fazer higiene. Obviedades fora de sua área. Já no tocante às questões econômicas, não propõem aumento do auxílio emergencial, nem mesmo citam qualquer valor para ele. Pelo contrário, defendem que ele seja reduzido apenas a uma categoria indefinida de “os que mais precisam”, que seriam menos do que o auxílio atingiu ano passado.

E defendem que as escolas devem permanecer abertas. Bem ao estilo bolsonarista mentem que não há estudos que apontem relação entre escolas abertas e infecção. Chegam ao absurdo de escrever, baseados numa São Paulo colapsando, que a abertura das escolas lá foi exitosa e não acabou em explosão de casos.

Por fim, defendem uma entidade de nível nacional que organize a saúde. Desistem do mercado. Só esquecem de dizer que isso existe e se chama Ministério da Saúde, para o qual elegeram pra comandar o presidente Jair Messias Bolsonaro. Na verdade, citam que “pode ser o Ministério da Saúde”. Pode ser.

Então é isso, a galera “nem de esquerda nem de direita”, que é de direita, que mente que o Estado TEM QUE ser pequeno, que diz que NÃO TEM DINHEIRO pra pagar auxílio emergencial, que criou todas as regras que expõem milhões à morte todos os dias, veio a público pra defender escola aberta, fazer negacionismo científico, propor diminuição do Auxílio Emergencial e fingir que as mãos não estão cheias de sangue.

Sério, nada propositivo. Nenhuma mea-culpa. Só aprofundando o projeto de extermínio com uma peça de propaganda hipócrita e cínica.

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