A GRANDE MÍDIA ESTÁ EM CAMPANHA ABERTA CONTRA O SERVIÇO PÚBLICO

por CARLOS ZACARIAS; COM LATUFF

Charge de Latuff  (2011) – Reprodução

A grande imprensa está em campanha aberta contra o serviço público. É na Globo, na Folha, no Estadão, não importa, há sempre uma reportagem atacando os servidores com o mote de se dizer que o funcionalismo público no Brasil é caro, a máquina está inchada e é ineficiente.

As matérias são desonestas, distorcem os números. Quando trazem “especialistas” para falar do tema, o fazem apenas com o intuito de firmarem as posições das empresas de comunicação interessadas na jogatina do mercado financeiro, algumas das quais devendo fortunas ao fisco.

Mas você sabe quem mais precisa do Estado e do serviço público num dos países mais desiguais do mundo?

É a população mais pobre, cujo único plano de saúde é o SUS; são os filhos das trabalhadoras domésticas, dos feirantes, dos trabalhadores da construção civil, dos professores e professoras, que estudam na escola pública; são os cidadãos e cidadãs que necessitam da vigilância sanitária; os brasileiros todos que precisam de monitoramento da Amazônia e dos regimes de chuva; são as populações das encostas que necessitam dos bombeiros e da defesa civil; são as pessoas que veem seus direitos lesados que precisam da Justiça; somos todos nós que precisamos dos departamentos de trânsito, do ordenamento das ruas, do controle de zoonoses, da pesquisa científica, da educação de qualidade, das vacinas, dos médicos e enfermeiros, da SAMU.

Quando se demoniza o serviço público de um país, criam-se as condições para a destruição dos servidores que são indispensáveis à nação e aos habitantes desta nação. Sejam honestos: se querem discutir as distorções, que efetivamente existem, mas não dá forma como vocês retratam, façam isso com critério e responsabilidade.


-Sou graduado em História pela Universidade Católica do Salvador (UCSal, 1993), mestre em História pela Universidade Federal da Bahia (UFBA, 1998) e doutor também em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE, 2007). Entre janeiro e setembro de 2006 estive na Universidade do Porto (UPorto), Portugal, realizando um estágio de doutorado como bolsista da CAPES e entre 2019 e 2020 estive na Universidade Federal Fluminense (UFF) realizando um pós-doutorado. Integro o Conselho Editorial das revistas Outubro, Crítica Marxista, História & Luta de Classes, Tempos Históricos, Germinal e Revista Nordestina de História do Brasil. Publiquei em co-autoria O Estado Novo: as múltiplas faces de uma experiência autoritária (Salvador: EDUNEB, 2008), Contribuição à crítica da historiografia revisionista (Rio de Janeiro: Consequência, 2017). Organizei o livro Capítulos de história dos comunistas no Brasil (Salvador: Edufba, 2016) e, como autor, publiquei Os impasses da estratégia: os comunistas, o antifascismo e a revolução burguesa no Brasil. 1936-1948 (São Paulo: Annablume, 2009), De tédio não morreremos: escritos pela esquerda (Salvador: Quarteto, 2016) e Foi golpe! O presente como história (Salvador, Quarteto, 20018. Sou professor Associado 1 do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Bahia (PPGH-UFBA), onde também atuo como pesquisador no Centro de Estudos e Pesquisas em Humanidades (CRH).
(Texto da plataforma Lattes, informado pelo professor)


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A grande imprensa está em campanha aberta contra o serviço público. É na Globo, na Folha, no Estadão, não importa, há…

Publicado por Carlos Zacarias em Terça-feira, 25 de agosto de 2020
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