Trechos de “A Guerra Não Tem Rosto de Mulher” de Svetlana Alexijevich – Destacados

por Mariane Farias de Oliveira

Foto de Svetlana Alexijevich – Reprodução

“A vila de minha infância depois da guerra era feminina. Das mulheres. Não me lembro de vozes masculinas. Tanto que isso ficou comigo: quem conta a guerra são as mulheres. Choram. Cantam enquanto choram.”


“Durante dois anos, mais do que fazer entrevistas e tomar notas eu fiquei pensando. Lendo. Sobre o que será meu livro? Ah, mais um livro sobre a guerra… Para quê? Já aconteceram milhares de guerras — pequenas e grandes, famosas e desconhecidas. E o que se escreveu sobre elas é ainda mais numeroso. Mas… Foi escrito por homens e sobre homens, isso ficou claro na hora. Tudo o que sabemos da guerra conhecemos por uma “voz masculina”.
Somos todos prisioneiros de representações e sensações
“masculinas” da guerra. Das palavras “masculinas”. Já as mulheres estão caladas. Ninguém, além de mim, fazia perguntas para minha avó. Para minha mãe. Até as que estiveram no front estão caladas. Se de repente começam a lembrar, contam não a guerra “feminina”, mas a “masculina”. Seguem o cânone. E só em casa, ou depois de derramar alguma lágrima junto às amigas do front, elas começam a falar da sua guerra, que eu desconhecia. Não só eu, todos nós.”


“Escuto a dor com atenção… A dor como prova da vida passada. Não existem outras provas, não confio em outras provas. Mais de uma vez, as palavras nos levam para longe da verdade.

Penso no sofrimento como o grau mais alto de informação, diretamente conectado ao mistério. Ao mistério da vida. Toda a literatura russa fala disso. Nela se escreveu mais sobre o sofrimento do que sobre o amor. E é a respeito disso que mais me contam…”


Livro – A Guerra Não Tem Rosto de Mulher de Svetlana Alexijevich

Svetlana Aleksandrovna Aleksiévitch, também grafado como Svetlana Alexandrovna Alexievitch (em bielorrusso: Святлана Аляксандраўна Алексіевіч; Stanislav, RSS Ucrânia, 31 de maio de 1948) é uma escritora e jornalista bielorrussa. Foi galardoada com o Nobel de Literatura de 2015 “pela sua escrita polifónica, monumento ao sofrimento e à coragem na nossa época”.


– Mariane Farias de Oliveira é professora Assistente na Universidade Federal de Goiás (UFG)/Regional Goiás. Bacharel em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestre em Filosofia Antiga pela Universidade Federal de Santa Maria e doutoranda na Université de Lille 3. ). Tem como tema de pesquisa Método na Ética Eudêmia de Aristóteles e, atualmente, História da Ciência antiga, sobretudo o tema do estatuto da astronomia como ciência matemática em Aristóteles.

Posts originais:

"Escuto a dor com atenção… A dor como prova da vida passada. Não existem outras provas, não confio em outras provas….

Publicado por Mariane Farias de Oliveira em Terça-feira, 11 de agosto de 2020

"Durante dois anos, mais do que fazer entrevistas e tomar notas eu fiquei pensando. Lendo. Sobre o que será meu livro?…

Publicado por Mariane Farias de Oliveira em Quinta-feira, 6 de agosto de 2020

"A vila de minha infância depois da guerra era feminina. Das mulheres. Não me lembro de vozes masculinas. Tanto que isso…

Publicado por Mariane Farias de Oliveira em Quinta-feira, 6 de agosto de 2020