Sobre a reforma ministerial do (des)governo

por Esther Solano

Reprodução - internet
Enfim, Bolsonaro se acomoda às crises, Bolsonaro vai cedendo ao Centrão, Bolsonaro tira algumas pessoas incomodas e coloca outras muitas de confiânça, Bolsonaro cede um pouco aos mercados...Abre mão do bolsonarismo mais radical na área de relações exteriores com a saída de Araújo, mas o bolsonarismo interno mais radical permanece na representação de Damares Alves ou na proximidade com a Bancada da Bala e o militarismo

Acho que devemos ter mais cautela ao afirmar que Bolsonaro sai muito enfraquecido desta reforma ministerial. Discordo. Talvez uma versão do Bolsonaro original saia mais enfraquecida, mas Bolsonaro é um sobrevivente. A reforma deu a Secretaria do Governo para o Centrão, nomeando Flavia Arruda para satisfazer Lira e o PL. Por outro lado Bolsonaro demonstra que ainda tem capacidade para dar um pontapé a quem discorda dele como José Levi da AGU, com quem teve divergências. 

Da mesma forma “foi saído” o General Fernando Azevedo que tampouco oferecia a Bolsonaro a fidelidade e envolvimento das Forças Armadas que este pedia. Significa a saída do Ministro da Defesa uma crise total com as Forças Armadas? Acho que não. Talvez signifique a crise com um setor das mesmas, menos apegado ao governo, como o General Edson Pujol, mas outros generais serão escalados, como o próprio Braga Netto para Defesa ou Luiz Eduardo Ramos para a Casa Civil e milhares de militares estão ainda trabalhando nos Ministérios. 

O novo Ministro da Justiça, Anderson Torres, é próximo da Bancada de Bala e parece contar com o aval e confiança de Bolsonaro. Ernesto Araújo cai, sim, e comemoro, mas entra um diplomata inexperiente, aparentemente muito mais moderado que não inflamará os fogos de Araújo e dará uma sobrevida a Bolsonaro no Ministério de Relações Exteriores relaxando assim a pressão sobre Bolsonaro. Bia Kics apagou o post incitando ao motim na PM. 

Enfim, Bolsonaro se acomoda às crises, Bolsonaro vai cedendo ao Centrão, Bolsonaro tira algumas pessoas incomodas e coloca outras muitas de confiânça, Bolsonaro cede um pouco aos mercados…Abre mão do bolsonarismo mais radical na área de relações exteriores com a saída de Araújo, mas o bolsonarismo interno mais radical permanece na representação de Damares Alves ou na proximidade com a Bancada da Bala e o militarismo. Por outro lado o antipetismo e o antiLulismo ainda são muito fortes e Bolsonaro se alimenta deles.Bolsonaro vai cedendo algumas coisas, mas vai sobrevivendo. Bolsonaro está tentando garantir sua sobrevivência. E isso me preocupa, muito.

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