#PedagoRedes 04: O Brasil na Guerra Cibernética e Religiosa Ocidental – com Antônio Celso Purita Ferreira; Texto e Vídeos

Reprodução internet

O professor e historiador Antônio Celso Purita Ferreira, de longa carreira acadêmica também como pesquisador e autor de vários livros, em uma dessas vezes em que foi “interditado” de postar em seu Facebook pessoal, decidiu abrir um canal no Youtube para tratar de diversos temas no que tange principalmente a história, a política brasileira e a geopolítica Global.

Como quem já leu em nossa aba “Sobre” e nos textos anteriores da #PedagoRedes sabe, temos uma posição bem crítica às redes sociais, seja pelo seu modus operandi comercial e como suas “teias” são programadas para roubar nossa atenção a todo momento, seja por coletarem e fazerem mal uso de nossos dados pessoais, seja por se tratarem de oligopólios financeiros que são mega concentradores de renda e poder, ou, seja por se tratarem muitas vezes de grandes instrumentos de guerra geopolítica, muito utilizado por Estados e grandes corporações financeiras em tempos de, como vem sendo chamado – “capitalismo de dados” ou “capitalismo de vigilância” – como já ficou bastante evidente com os acontecimentos revelados nos últimos anos sobre essas relações, principalmente na eleição de Trump, em 2016, com o famoso caso envolvendo a Facebook e a empresa britânica Cambridge Analytica.

Mas, achamos também que, nesse momento, não tem como simplesmente abandoná-las e deixá-las ainda mais nas mãos da extrema direita enquanto o número de usuários dessas redes no Brasil não para de crescer, sobretudo, nas classes populares que são bombardeadas por planos de internet onde só tais redes sociais são livres do uso de dados pago (Ou seja, para muitas pessoas, internet hoje se resume a essas redes e as informações que nelas encontram).

Por isso, achamos que deve compor nossas pautas de lutas, toda práxis no sentido de combate a esse capitalismo baseado em dados e vigilância que, em certas instâncias, são protagonizados por redes sociais no espaço virtual, o que está matando as sociedades e as pessoas em vários os sentidos (Um assunto que fica para uma próxima). Acreditamos que cada militante e todos intelectuais orgânicos às classes subalternas – em nosso recorte para divulgação os professores e pesquisadores brasileiros, por exemplo – ocupem as redes sociais, seja ela qual for, da forma que der, se assim o puder fazer.

Dito isso sobre esse assunto que consideramos bastante pertinente para o debate contemporâneo, é com satisfação que compartilhamos aqui não só o canal do professor como recomendação para que sigam (E sigam, curtam, compartilhem mesmo. Pois faz toda a diferença nas redes). Mas, sobretudo, agradecer e trazer o professor Celso aqui como um exemplo do argumentado acima.

Seguimos o professor nas redes já há alguns anos e, mesmo não o conhecendo pessoalmente, é notável o quanto ele é intelectualmente inquieto e, mesmo depois de toda uma carreira acadêmica consolidada, hoje busca aprender sobre o funcionamento das redes para fazer divulgação de conteúdos políticos alinhados aos interesses de classe dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras, cada vez mais subalternizadas e exploradas nas relações capitalistas vigentes.

Aproveitando o assunto, reforçamos que este site é também um convite aberto a todos os professores e professoras para que extrapolem suas atividades restritas as universidades, unidades escolares, pesquisas, diretórios e afins, e venham ocupar também as redes sociais, divulgar o conhecimento, debater o país, interagir, militar, dialogar e se conectar com povo Brasileiro que está de forma massiva nessas redes. Sobretudo, para fazer divulgação contra hegemônica ao status quo vigente hoje sendo tomado pela extrema direita – utilizando muito as redes sociais.

No que pudermos ajudar, podem contar conosco aqui da Meu Professor CNN para qualquer parada que tenha como objetivo fazer divulgação e comunicação de conteúdos contra hegemônicos nas redes.

Se Gramsci fosse hoje vivo, as vezes fico pensando como compreenderia todo esse aparato de comunicação a qual estamos expostos enquanto classe dominada, e a importância que depositária em razão de fazer as disputas de ideias por hegemonia cultural nessas redes sociais. Enquanto, claro, o quadro assim fica desenhado em nosso tabuleiro político impostos por essas “trincheiras” que estão nas mãos das classes dominantes, e que ainda estamos começando a aprender a lidar e a combater seus males.

Nos vídeos abaixo que divulgaremos do Canal Impertinências, no Youtube, do professor Antônio Celso Ferreira, o tema gira e permeia reflexões sobre o que chamou de “Guerra Cibernética”, como também sobre o que descreveu como “Guerra religiosa ocidental” que, aos tratos do professor nos vídeos, se relacionam e se retroalimentam para avançar suas agendas reacionárias, anti ambientalistas e fascistas pelo mundo. Especialmente aqui na América, em países como o Brasil.

O professor relaciona o tema da guerra cibernética em torno de projetos de poder (geo)políticos com os fenômenos que envolvem a Guerra religiosa ocidental e sua consequente invasão fundamentalista cristã que vem crescendo de forma vertiginosa e sistematizada no Brasil. Também, através do modus operandi dessas redes e mídias sociais que permitem todo um esquema que vai desde Fake News, roubo de dados, psicologia social para manipulação de comportamentos (em psicográficos de dados), a “revoluções coloridas” (Leia-se golpes de Estado), que descambam nas ruas impulsionadas por essas estruturas virtuais.

Estruturas cibernéticas essas, sustenta o professor, metodologias que às classes dominantes vem usando para possibilitarem a manutenção do status quo vigente em tempos de crise orgânica do capitalismo global, onde, para isso, vem ocasionando a eleição e a tomada de poder de vários governos conservadores e autoritários ao redor do globo nos últimos anos, como Bolsonaro aqui no Brasil.  

Para o professor:

“A guerra cibernética que nos assola, é própria de um capitalismo parasitário, destrutivo que tomou conta da terra. O resultado dessa guerra tem sido lideres tirânicos que destroem as bases políticas, econômicas, sociais e culturais da nossa existência organizada em torno de estados nacionais. A guerra cibernética no ocidente provocou a emergência de um fundamentalismo radical cristão nos EUA e Brasil que está solapando o Estado laico. ”

Qual a relação do avanço do fundamentalismo cristão no ocidente com as guerras religiosas e cibernéticas citadas pelo professor? Assista aos vídeos e se inscrevam no Canal Impertinências, do professor Antônio Celso. Vale conferir:

Vídeo 1

Vídeo 2

Possui graduação em História pela Universidade de Brasília (1973), mestrado em História Econômica pela Universidade de São Paulo (1982) e doutorado em História Social pela mesma instituição (1993). É prof. titular da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Coordenou o Programa de Pós-Graduação em História da F.C.L. de Assis, foi diretor do mesmo campus e Assessor Editorial da Editora Unesp. Exerceu o cargo de Coordenador do CEDEM – Centro de Documentação e Memória da UNESP. Participou da diretoria regional de São Paulo da ANPUH e também da diretoria nacional dessa entidade. Dirigiu periódico acadêmico e tem integrado conselhos editoriais de revistas científicas. Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil Império e República, atuando principalmente nos seguintes temas: historia e literatura, historiografia e história de São Paulo, literatura paulista, modernismo em Sao Paulo, história cultural, teoria e narrativa da história, ciências humanas e tecnociências, universidade e sociedade. Orientou 17 Mestrados e 13 Doutorados. Autor de vários livros, capítulos, artigos e prefácios, co-organizador de três obras. 
(Texto informado pelo autor)


EXTRA

Depois de “Privacidade Hackeada”, lançado em 2019, baseado nos escândalos protagonizados pelo Facebook em março do ano passado, em que a Cambridge Analytica coletou os dados de 87 milhões de usuários sem que fosse permitido, o novo documentário da netflix “O Dilema das Redes”, lançado esse mês na plataforma, vem para complementar, de forma introdutória e bastante didática, como as redes em que passamos horas todos os dias funcionam e agem sobre nós, enquanto humanos e em sociedade, moldando nossas opiniões e comportamentos com fins nada humanos.


VEJA: Trailer do documentário “O Dilema das Redes”


VEJA NA NETFLIX (ASSINANTES): O Dilema das Redes


LEIA TAMBÉM: Artigo de The Intercept Brasil, sobre o documentário